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Dr. António de Almeida Santos  

* Clique na imagem para ver a casa onde nasceu

  SÍNTESE CURRICULAR

Nasceu na freguesia de Cabeça, concelho de Seia, em 15 de Fevereiro de 1926.
Político, advogado e escritor, Almeida Santos licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra (1945-1950). Fez o curso complementar de Ciências Jurídicas (1950-1952). Enquanto estudante, foi presidente da Secção Cultural da Associação Académica de Coimbra e pertenceu, como guitarrista, cantor e orador oficial, ao Orfeão Académico e à Tuna Académica da Universidade de Coimbra. Nessa qualidade, visitou São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e África do Sul (1949). Como intérprete das canções de Coimbra, gravou, em Março de 2002, o CD "Coimbra no Outono da Voz". Enquanto compositor, destaca-se a famosa partitura "Variações em ré menor".

Exerceu advocacia (1953-1974) em Lourenço Marques (Moçambique).
"Pertenceu ao Grupo dos Democratas de Moçambique. Duas vezes candidato às eleições para a Assembleia Nacional, em listas da Oposição, viu, em ambos os casos, anulada a sua candidatura por acto arbitrário da Administração Colonial. Representou, em Moçambique, o General Humberto Delgado, que ganhou as eleições em todas as cidades e vilas onde foi possível fiscalizar a contagem dos votos. Em conferências, petições e livros, defendeu uma solução federativa para as colónias portuguesas até que, em 1971, em livro apreendido pela Censura - "Já Agora!..." (Editorial Minerva), passou a defender a aplicação pura e simples do princípio da autodeterminação e independência." - (in www.ps.pt)

Deputado pelo Partido Socialista (1975-2005), foi Ministro da Coordenação Interterritorial (1974-1975), Ministro da Comunicação Social (1976-1977), Ministro da Justiça (1977-1978), Ministro Adjunto do Primeiro Ministro (1978), Ministro de Estado e Ministro para os Assuntos Parlamentares (1983-1985). Teve um papel preponderante na Revisão Constitucional de 1988/1989. Candidato pelo PS a Primeiro-Ministro nas Legislativas de 1985. Foi lider do Grupo Parlamentar do PS entre 1991 e 1994. Desempenhou, com grande prestígio e reconhecido mérito, o elevado cargo de Presidente da Assembleia da República desde Novembro de 1995 até Abril de 2002.

Actualmente, é Presidente do Partido Socialista, desde 1992. É membro do Conselho de Estado, órgão de consulta política do Presidente da República. Pertence ao Consilium da Alumni (Associação de Antigos Estudantes da FDUC)

  Prós e Contras de 22.2.2010



Em 22-2-2010, participou no programa “Prós e Contras” da RTP, acompanhado de Miguel Anacoreta Correia, Rui Machete, Vicente Jorge Silva, Irene Pimentel e António Manuel Pessanha. A jornalista Fátima Campos Ferreira classificou o painel como um grupo de cidadãos de créditos firmados na sociedade portuguesa. O debate tinha por tema “Rumo Incerto”.
Almeida Santos fez uma dissertação enérgica, muito bem estruturada, sobre a crise económica nacional, enquadrando-a no contexto da crise global à escala mundial, de harmonia com o que defende no seu último livro "Que Nova Ordem Mundial?".(Clique AQUI para aceder à intervenção completa, nos vídeos RTP...)

  RECONHECIMENTO PÚBLICO

A Junta de Freguesia de Cabeça atribuiu o nome do Dr. Almeida Santos à rua da casa onde nasceu. Afixou, também, no respectivo edifício, um texto alusivo ao ilustre estadista. O Dr. Almeida Santos foi, ainda, agraciado com a medalha da freguesia de Cabeça.

A Câmara Municipal de Seia atribuíu-lhe a Medalha de Ouro. Procedeu à entrega o Presidente do Município, Eduardo Mendes de Brito. (Seia - Informação Municipal, nº 3, série II, pág. 34, C.M.Seia, Agosto 1997))

Em 24-11-2003, recebeu o prémio Norte-Sul do Conselho da Europa, em conjunto com a sul-africana Frene Ginwala. Presidiu à cerimónia o P. da República Dr. Jorge Sampaio, sendo P. da Assembleia o Dr. Mota Amaral.

Em Abril de 2004, durante as comemorações dos 30 anos do 25 de Abril, foi agraciado pelo Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.



Em 9 de Dezembro de 2007, foi distinguido pela Universidade de Coimbra com o grau de "Doutor Honoris Causa", a maior distinção conferida pela instituição. No elogio ao homenageado, o vice-reitor da UC, Prof. Dr. António Avelãs Nunes, afirmou em dada altura:

"Em tom de brincadeira, Almeida Santos costuma dizer de si próprio que é um homem de cabeça. Porque nasceu na aldeia de Cabeça (Seia), logo acrescenta (...) A sua vida pessoal, profissional e política é a prova provada de que estamos perante um homem inteligente e culto, trabalhador e disciplinado, exigente consigo próprio, dotado de rara capacidade argumentativa."


A cerimónia encheu completamente a Sala dos Capelos, com centenas de pessoas ligadas à política e à justiça, entre as quais se destacavam Mário Soares e Ramalho Eanes (antigos presidentes da República), Jaime Gama e Mota Amaral (antigos presidentes da Assembleia da República), Alberto Costa (ministro da Justiça), Pinto Monteiro (procurador-geral da República), além de outros governantes e deputados.

Em 10 de Junho de 2008, foi agraciado pelo Presidente da República, Dr. Aníbal Cavaco Silva, com a Grã-Cruz de Cristo, durante as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, que tiveram lugar em Viana do Castelo.
O Dr. Almeida Santos viu distinguida, mais uma vez, a sua formação humanista e o empenho cívico, moral e cultural com que sempre desempenhou os mais altos cargos, em prol do desenvolvimento do país.

Em 18-6-2010, a Câmara Municipal da Guarda atribuíu o nome do Dr. Almeida Santos à Sala da Assembleia Municipal. A cerimónia contou com a presença do primeiro ministro José Sócrates. Almeida Santos foi o primeiro presidente da Assembleia Municipal da Guarda no período de 1977 a 1985. O presidente da Câmara da Guarda, Joaquim Valente, disse que a Sala passou a ter o nome do seu primeiro presidente, “uma figura de relevo da história da democracia, que muito contribuiu para o prestígio deste órgão”.

10-01-2012. António Reis, professor universitário e ex-grão mestre do Grande Oriente Lusitano, propôs esta terça-feira na Assembleia da República a realização de uma homenagem nacional ao antigo ministro e presidente honorário do PS, António Almeida Santos. A sugestão do historiador e ex-secretário de Estado da Cultura foi feita na sessão de apresentação de dois livros da autoria de António Almeida Santos: "Elogio da política, da República e da globalização" e "Nova galeria de quase retratos". A sessão, que decorreu na livraria do Parlamento, teve na mesa de honra, além de Almeida Santos, a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e do actual grão-mestre do GOL, Fernando Lima. Na primeira fila, estavam sentados quatro ex-presidentes da Assembleia da República (Mota Amaral, Barbosa de Melo, Vítor Crespo e Oliveira Dias), vice-presidentes do Parlamento, como António Filipe (PCP), Teresa Caeiro (CDS) e Guilherme Silva (PSD), e o ex-presidente da República Ramalho Eanes. Na plateia, entre dezenas de deputados, estavam ainda o secretário-geral do PS, António José Seguro, o ex-candidato presidencial Manuel Alegre e Maria de Jesus Barroso, mulher do ex-Presidente da República Mário Soares. No final da apresentação dos dois livros do ex-presidente do PS, António Reis desafiou Almeida Santos a escrever o seu "quase retrato", ou seja, a sua autobiografia. "Apelo a que se leve por diante o projecto de um livro colectivo de homenagem a António Almeida Santos, em que cada colaborador desse livro possa contribuir para o seu quase retrato na medida da sua disponibilidade e talento", sugeriu o ex-grão mestre do GOL, lembrando que iniciativas idênticas foram concretizadas em relação a Fernando Valle e Miguel Torga. Para António Reis, agora que o ex-presidente do PS se prepara para fazer 86 anos, "urge esse livro e urge uma grande homenagem nacional a António Almeida Santos"..

  OBRA LITERÁRIA

O Dr. Almeida Santos é, também, um escritor de talento. Com a modéstia habitual, diz que "não é nem quer ser escritor". "Gosto das minhas histórias como quem gosta de um filho feio", acrescenta (in* "Contos do Tempo do Ódio"). Almeida Santos tem a rara capacidade de ironizar um assunto sério com requintado sentido de humor. A nota dominante em Almeida Santos é o seu realismo, aureolado duma poesia sedenta de justiça social. As narrativas de Almeida Santos revestem-se de um significado de assinalável importância pela preocupação de surpreender o fundo comum do drama individual e social do nosso tempo. Da sua bibliografia, salientamos as seguintes OBRAS:

Coimbra em África
Com Ironia e Sumo de Limão
Ensaio sobre o Direito de Autor
Virtuosa Sensaboria
Rã no Pântano
Corpo de Delito
Avisos à Navegação
7 x Abril
Pela Santa Liberdade
Os Mal Amados

Civismo e Rebelião
Textos Políticos
Já Agora!..

Vivos ou Dinossauros
Teoria da Imprevisão
Até que a Pena me Doa
Quase Retratos
Quase Memórias (do Colonialismo e da Descolonização)


Quinze meses ao serviço da Descolonização
Por Favor, Preocupem-se
Do Outro Lado da Esperança
Paixão Lusófona
Pare, Pense e Mude
Picar de Novo o Porco que Dorme
Contos do Tempo do Ódio

Que Nova Ordem Mundial?
(1)

(1) Foi publicado em 12.01.2009. Fez parte das "Escolhas de Marcelo" na RTP em 18.01.2009. (Na imagem, o Prof. Marcelo exibe o livro)


  ORIGENS

O Dr. Almeida Santos nasceu na freguesia de Cabeça, povoação onde sua mãe, Guiomar A. Santos, exerceu, por largos anos, as funções de Professora do Ensino Primário. Ali foi registado e lá viveu enquanto criança. Funcionava, aliás, no rés-do-chão da casa onde nasceu, o Posto do Registo Civil de Cabeça.
Nunca renegando as suas origens, admite que "a Terra de um homem é aquela onde ele tem a sua memória e que, apesar de ter nascido na Cabeça, só começou a ter consciência própria na Vide", terra de seus pais. (Comemorações do Feriado Municipal - Vide, 2003-07-03).
"Em tom de brincadeira, Almeida Santos costuma dizer de si próprio que é um homem de cabeça. Porque nasceu na aldeia de Cabeça, logo acrescenta" (Prof. Dr. Avelãs Nunes, Univ. Coimbra, 2007.12.09)

Dotado de excepcionais qualidades oratórias, granjeou o respeito e consideração de todos os quadrantes políticos. Defende um Estado de Direito moderno e democrático, com um projecto humanista e social para o País.
Eloquente no discurso, afável e simples no trato, o Dr. Almeida Santos é, incontornavelmente, uma das mais prestigiadas figuras do mundo português da actualidade. 

  Visita à Cabeça

Em 28 de Setembro de 2008, o Dr. António de Almeida Santos visitou a freguesia de Cabeça, sua terra natal, a convite da Junta de Freguesia. Vinha acompanhado de alguns familiares. Começou por visitar a casa de xisto onde nasceu. De seguida, entrou na velha Igreja de São Romão, onde teve oportunidade de examinar a Pia onde foi baptizado. Dirigiu-se, depois, à sede da Junta de Freguesia, onde assinou o Livro de Honra com uma mensagem muito íntima, cheia de emoção. Pelo caminho, foi muito acarinhado pelos populares que com ele se cruzavam. Apreciou, também, as obras de requalificação urbana em curso, classificando-as de fundamentais para a potenciação do turismo rural da aldeia. Neste sentido, apelou à recuperação das originais casas de xisto. Visitou, depois, a Igreja da Divina Pastora, acompanhado pelo Rev. João Barroso, pároco da freguesia, tendo elogiado o cuidadoso restauro ali implementado.

Dirigiu-se, então, ao CATIC-Centro de Apoio à Terceira Idade de Cabeça, cujas instalações definiu como uma grande obra da aldeia. Participou, depois, num almoço de confraternização servido no refeitório do CATIC. O Presidente da Junta, António Dias, em breves palavras, deu as boas-vindas ao ilustre convidado, ofereceu-lhe a medalha da freguesia e um exemplar do livro "Histórias e Lendas da Minha Aldeia - Cabeça", de José Dias, rubricado pelo autor.

De seguida, foi a vez de José Pinto usar da palavra, para se referir ao trajecto curricular do distinto conterrâneo como Homem de Estado e como Escritor, salientando o acervo de produção legislativa que legou ao país no pós-25 de Abril, só comparável ao do histórico Mouzinho da Silveira no século XIX. Referiu-se, ainda, à vasta obra literária de Almeida Santos, sublinhando a sua capacidade em ironizar temas sérios com um requintado sentido de humor. Terminou a sua alocução, afirmando: "Ninguém pode apagar a História. A História da aldeia de Cabeça continua a ser feita pelos que cá estão, mas ela só se completa com aqueles que por cá passaram."

O antigo Presidente da Assembleia da República agradeceu e comentou com graça os elogios que lhe foram dirigidos. Aproveitou para falar do seu novo livro "Que Nova Ordem Mundial?". Nesta obra, defende uma urgente globalização política mundial a par da globalização económica já existente, a fim de controlar o actual sistema em que os poderosos esmagam sempre os mais fracos.

DOAÇÃO LITERÁRIA

Seguidamente, o Dr. Almeida Santos surpreendeu toda a gente, ao anunciar publicamente que vai doar uma colecção da sua obra literária à futura Biblioteca de Cabeça. "Arranjem um espaço", disse ele. O património cultural da freguesia ficou mais rico! O Presidente do CATIC, José Santos, anfitrião neste edifício, ofereceu, no final, alguns adereços ao ilustre convidado.

No epílogo da visita, destacamos as seguintes palavras, exaradas por Almeida Santos no Livro de Honra: "O decurso dos anos ensinou-me a valorizar as coisas e lugares mais simples, como este bonito lugar em que nasci. Hei-de voltar mais vezes, enquanto o coração continuar a bater."

 


Casa onde nasceu

Casa onde nasceu

Familiares

Igreja de S.Romão

Pia baptismal

Afagos

Requalif. urbana

Livro de Honra

Mensagem

Sede da Junta Freg.

Sede da Junta Freg.

Igreja Div.Pastora

Igreja Div.Pastora

Visita CATIC

Almoço no CATIC

Alocução J. Pinto

Direcção do CATIC

Pessoal do CATIC


  Biblioteca Dr Almeida Santos


Cumprindo o prometido, o Dr. António de Almeida Santos remeteu, em Setembro de 2009, à sua terranatal, um considerável número de livros da sua colecção pessoal e, também, da sua obra literária enquanto escritor, para constituição duma Biblioteca. A referida Biblioteca está a ser organizada provisoriamente numa sala autónoma da sede da Junta de Freguesia de Cabeça (ver foto).

Entretanto, a Assembleia de Freguesia de Cabeça aprovou um voto de louvor e reconhecimento ao Dr. Almeida Santos pela sua generosidade, estando em estudo a criação dum espaço cultural na aldeia com o nome do ilustre conterrâneo.

Prof. Guiomar de Almeida Abreu Santos  

Mãe do Dr. António de Almeida Santos, Guiomar Santos começou a sua vida profissional como Professora do Ensino Primário, na freguesia de Cabeça, em Outubro de 1921. Ali se manteve durante 7 anos, sendo recordada pela forma exemplar como soube ensinar e se fez respeitar.

Exerceu em Cabeça, para além da função cultural, uma acção social preponderante, ajudando a criar laços de solidariedade e de auto-estima entre as pessoas.

Depois de cessar funções, continuou a ser procurada na sua residência em Vide, por muita gente, com vista à solução das mais variadas questões. Sempre disponível, atenta e generosa, a Professora Guiomar a todos ajudava. Deixou saudades e muitos amigos.

Sobre a educação, escreveu um dia:
“A instrução e a educação dos povos não constituem um luxo, mas tão somente uma das maiores necessidades, pelo que dar prioridade a estes assuntos é converter as novas gerações em factores eficientes para o progresso e para a felicidade de uma nação. Dar a todas as crianças os primeiros rudimentos da instrução é cumprir uma elevada missão social de que nenhum Governo consciente procura hoje alhear-se, por muito grandes que sejam os encargos económicos que pesem no seu orçamento geral.” (in DIAS António, Vista Bela, Ensaio Monográfico das terras de Seia, Vila de Vide, Coimbra Editora, Lim., 1942)

Depois de cessar funções em Cabeça, exerceu a sua actividade em Santiago, Barriosa e Vide.
Em 20 de Setembro de 1959, após a aposentação, foi homenageada pelos antigos alunos, numa cerimónia pública carregada de emoção. O acto foi presidido pelo Dr. António Melo de Sena Mota Veiga, Presidente da Câmara Municipal de Seia.
Faleceu em 17 de Agosto de 1980.
Foi erguido um busto em sua memória, na freguesia de Vide, sua terra natal, em 21-07-1992. Foi ali, também, criada a denominada Associação Humanitária D. Guiomar Almeida Santos.

Rev. Emídio José Freire de Figueiredo  

Durante cerca de 50 anos (1897-1946) paroquiou a freguesia de Cabeça. Foi Presidente da Junta, ininterruptamente, desde 30 de Dezembro de 1897 até 18 de Dezembro de 1910. Iniciou o seu mandato com 24 anos de idade.

Nasceu na freguesia de Vide (Seia), em 1873. Frequentou a Escola do Piódão, sendo o primeiro aluno do Cónego Nogueira.
No Livro de Recenseamento eleitoral do concelho de Seia aparece, no ano de 1926, como eleitor nº 10 , da freguesia de Cabeça, com 53 anos de idade.
Homem de grande coragem, lutou afincadamente pelos direitos desta freguesia e pela melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Entre muitas acções :
- Em 30-12-1897, mal tomou posse como Presidente da Junta, enviou ao Governo cópia da 1ª acta das sessões da Junta por si presidida, reivindicando a criação duma Escola do sexo masculino, dado que o recenseamento escolar atingia 60 crianças.
- Em 1899, construíu a capela da Senhora de Nazaré e, também, a casa da Residência Paroquial. Esta casa situa-se na Rua da Liberdade, mas a entrada principal dá para a Travessa Padre Emídio.
- Em 23-04-1901 enviou cópia de nova acta ao Governo, reivindicando a criação duma escola mista. O recenseamento escolar atingia, então, 50 crianças.
- Organizou a escrita da Junta de freguesia, elaborando orçamentos, escriturando a receita e a despesa, juntando os respectivos recibos e submetendo as contas à aprovação. Até à sua tomada de posse, em 1894, “a prática seguida era annunciar na Egreja, no fim do anno, quaes as esmolas recebidas e qual a sua aplicação”, facto que vinha originando graves problemas de ordem legal;
- Enfrentou o poder instituído, conseguindo para a povoação medidas de excepção.
- Em 23 de Janeiro de 1910, em reunião da Junta de Matrizes da Repartição da Fazenda de Seia, foi deliberado atender uma reclamação do Padre Emídio contra o aumento do rendimento colectável da casa arrendada ao Estado para funcionamento da escola.
Em finais de 1929, conseguiu do Presidente do Conselho de Ministros, General Ivens Ferraz, uma estação telefónica e postal para a Cabeça.
O povo da Cabeça também se opôs, democraticamente, às suas decisões menos consensuais. “No dia 26 de Setembro de 1909, estando reunida a Junta de Parochia da Cabeça composta do Padre Emygdio José Freire Figueiredo seu presidente e dos vogaes Manoel Luiz Mendes Marques e José Martins, para procederem à Venda em hasta pública “d´uns bocados de matto”, deliberaram não fazer a entrega do ramo naquelle dia, em virtude d´alguns habitantes da freguesia, aconselhados por João Damaso Mendes, João Dias, e Manoel Galvão Junior, fazerem algazarra na praça, a ponto de muita gente retirar para casa na hora em que se procedia à arrematação”.
O produto da venda destinava-se a financiar obras de reparação da Igreja Paroquial, nomeadamente, a porta da sacristia ( onde a Junta reunia ), duas portas laterais, o forro do corpo da Igreja que estava a desabar, e algumas alfaias que se romperam e estragaram com o uso, “em virtude da Junta não ter meios”. O povo não gostou que se vendessem bens públicos.O citado “João Damaso Mendes” tinha sido Secretário da Junta em 1884.

  Em 2 de Setembro de 1941, deslocou-se ao Santuário de Nossa Senhora das Preces, em Vale de Maceira, para participar numa homenagem de gratidão ao Cónego Nogueira. O Padre Emídio representava, no acto, com grande alegria, o Bispo D. Liberato. Grande conselheiro, o Padre Emídio a todos ensinava o dever e acudia, sobretudo, nas horas em que as dificuldades eram maiores.
Debilitado pela doença, faleceu em 19 de Março de 1946, sendo certo que no dia 11 de Fevereiro anterior ainda celebrou, em Cabeça, o casamento dos nubentes Manuel Dias Pinto e Maria dos Anjos Figueiredo.

Capitão Dr. António Dias  

                
É autor dum fascículo contendo um pequeno estudo monográfico intitulado“Vista Bela–Ensaio Monográfico das Terras de Seia-FREGUESIA DE CABEÇA”, com 30 páginas e 7 fotografias.
Nasceu em Seia em 1895 e faleceu em Lisboa em 22 de Abril de 1958. Militar, Advogado, Jornalista e Historiador, foi Presidente da Câmara Municipal de Seia. Prestou serviço no Arquivo Histórico Militar.
Enquanto presidente da Câmara, deslocou-se à Cabeça inúmeras vezes. Deslumbrado pelas características da povoação, partiu para a investigação da sua história. Este esforço viria a culminar na publicação, em 1952, do já citado estudo monográfico.

O Dr. António Dias conhecia bem a Cabeça e preocupava-se com o isolamento deste povo, "onde não ia um carro de bois, por causa dos seus maus caminhos"... "Oh! que mar de dor se ouve aqui!...São cento e vinte e oito fogos que guardam quinhentas e cincoenta almas que à lareira se reunem, as mulheres para fiarem a teia de linho...e todos para rezarem o Têrço", escreveu na referida Monografia. E, mais à frente: "Raro o Sino da Câmara, de Seia, chamou para a "Audiência Geral" que fôsse para julgar algum Cabecense, porque o crime não tem aqui terreno em que possa frutificar." E, ainda: Tínhamos andado pela cumeada da serra da Portela de Aarão a ver se era possível torcer-se a estrada que corre pela sua crista, para a pobre freguesia, mas seria preciso levá-la quase à Vide e fazê-la voltar para trás (...) Foi em Janeiro de há anos, quando levados pela nossa fé andávamos na descoberta das terras perdidas da Serra (...) manhã nevoenta, gélida, enervante, pelo patinheiro que teimosamente molhava os caminhos"

Exerceu influência política sobre o poder central para melhorar as condições de vida da povoação. Para ver como, no seu tempo, foi conseguido o primeiro telefone da Cabeça, clique aqui.

A Monografia da freguesia de Vide, também da sua autoria, começa da seguinte forma: "A caminho de Vide, deixamos a povoação da Cabeça, quási ao sol pôsto..." Parece depreender-se do texto que o inesquecível Presidente da Câmara gostava mesmo do percurso Cabeça-Vide!

Na sua jurisdição, foram realizados importantes melhoramentos estruturais, dos quais destacamos:

Encanamento da água Estação telefone-postal

Fonte da Malhada

Rev. António Mendes Cabral Lages  

Quando em 1944 se retirou da vida paroquial em Loriga, onde exerceu durante 34 anos, aceitou ir celebrar à Cabeça, na altura sem pároco. Por lá ficou durante cerca de 6 anos, durante os quais mobilizou toda a população para construir uma Igreja Nova, dedicada a Nossa Senhora “Divina Pastora”.
O plano desse lindo templo foi por ele concebido e sob a sua constante e sábia direcção realizado! São obras que ficam e que, por si só, consagram uma vida. O povo entusiasmou-se com a proposta do sacerdote e construiu, à custa de muita generosidade e grande esforço braçal, a nova igreja.

Clique na imagem ao lado para ver uma foto da igreja, ainda em construção, tirada pelo Padre Lages em 15-02-1948.

A igreja foi inaugurada no dia 23 de Abril de 1950 pelo Bispo da Guarda, D. Domingos da Silva Gonçalves.
O Jornal "A Neve" n.º 14, de Abril de 1950, editado em Loriga, descreveu o acontecimento com pormenores muito curiosos e de grande impacto social, ao ponto de Loriga se ter deslocado em peso à Cabeça, naquele dia, para contemplar a obra.
"No regresso, era vê-los a lamentar a sua terra, onde ainda não foi possível a construção duma igreja, que há muitos anos se impõe..." (referia aquele Jornal).

Consulte aqui esse artigo, em formato pdf, intitulado Nobre Realização.

O Padre Lages nasceu em Loriga em 23 de Agosto de 1884. Foi ordenado sacerdote em 18 de Julho de 1909. Celebrou as bodas sacerdotais em 26 de Julho de 1959. Faleceu em Loriga no dia 19 de Fevereiro de 1968. Uma multidão da Cabeça incorporou o funeral daquele seu antigo Pastor.

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